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O Bipolar Financeiro: Exige "Padrão FIFA", mas quer pagar "Várzea". - Quando o desejo de valorização imobiliária encontra o medo do boleto, a matemática (e a coerência) chora.

Por: Licinio Del Mouro Lessnau


Encerramos nossa trilogia sobre o "Morador Bipolar" com o perfil que mais gera cabelos brancos em síndicos e gestores: o Bipolar Financeiro.


Este é o morador com um gosto refinadíssimo para o conforto alheio, mas com uma escorpião no bolso para o próprio investimento. Ele é o primeiro a apontar que o jardim do prédio vizinho está mais bonito. Ele exige que a piscina esteja sempre climatizada a 28ºC. Ele quer segurança armada, academia com equipamentos de última geração e um hall de entrada digno de capa de revista.


Até aí, tudo bem. Querer o melhor para o seu patrimônio é legítimo. O problema começa quando a conta chega.


Quer Morar no "Copacabana Palace", mas quer pagar taxa de "Minha Casa Minha Vida".
Quer Morar no "Copacabana Palace", mas quer pagar taxa de "Minha Casa Minha Vida".

Quando o síndico apresenta a Previsão Orçamentária – aquela planilha chata, mas necessária, que mostra a inflação, o reajuste da conta de luz, o dissídio dos funcionários e o custo daquele cloro que mantém a piscina cristalina – o morador exigente se transforma.

O mesmo homem que ontem exigia "excelência" hoje grita: 📢 "É um absurdo esse aumento!" 📢 "O síndico não sabe economizar!" 📢 "Eu não vou pagar por isso!" (Spoiler: vai sim, está na lei).


Ele quer a valorização de um imóvel de alto padrão pagando a taxa de um conjunto habitacional básico.


Condomínio não é Comércio


Precisamos desenhar o óbvio: Condomínio não tem lucro. Condomínio tem RATEIO.


A taxa condominial não é um "preço" que o síndico inventa porque acordou de mau humor. Ela é a soma de tudo que o prédio consome, dividida pelas unidades.

  • Você quer piscina quente? O gás custa caro.

  • Você quer segurança 24h? Porteiros qualificados têm salário, encargos e benefícios.

  • Você quer jardim impecável? Jardineiro e insumos têm preço.


O Dever Legal (Art. 1.336, I do CC) O Código Civil é claro: é dever do condômino contribuir para as despesas do condomínio. Não existe a opção "contribuir apenas se eu achar barato".


Conclusão: A Conta da Incoerência

O Bipolar Financeiro sofre de uma ilusão perigosa. Ele acha que, ao votar contra um aumento necessário para a manutenção, ele está "economizando". Na verdade, ele está votando a favor da deterioração do próprio patrimônio.


Um prédio que não investe em manutenção preventiva e melhorias não economiza; ele apenas adia um gasto muito maior no futuro (a famosa obra emergencial) enquanto seu valor de mercado despenca.


Quer morar bem? Entenda quanto custa morar bem. Quer pagar pouco? Aceite viver com pouco. Querer os dois é um delírio matemático que nenhum síndico profissional pode realizar.

💰 Papo reto sobre dinheiro: No seu condomínio, a briga é para investir ou para sucatear? Você prefere pagar uma taxa justa e ter um prédio valorizado, ou economizar hoje e perder valor de venda amanhã? Deixe sua opinião nos comentários!


⚠️ Nota de Esclarecimento: O termo "Bipolar" é utilizado neste conteúdo exclusivamente em seu sentido figurado e coloquial, para ilustrar a incoerência e a dualidade de comportamentos de condôminos frente à gestão condominial. Respeitamos a seriedade do Transtorno Afetivo Bipolar enquanto condição clínica de saúde e reiteramos que este texto não tem qualquer intenção de estigmatizar diagnósticos médicos ou ridicularizar portadores da condição.


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