O Morador Bipolar: A Culpa é Sua, o Mérito é Nosso. - Quando convém, o síndico é o vilão. Quando dá certo, o síndico é invisível.
- Prisma Gestão Condominial
- 23 de fev.
- 3 min de leitura
Por: Licinio Del Mouro Lessnau
Essa semana damos inicio à uma nova trilogia, a trilogia do "Morador Bipolar".
Existe um fenômeno curioso na psicologia condominial. Vamos chamá-lo de "O Paradoxo da Responsabilidade Seletiva".
Todo prédio tem aquele morador que sofre de uma oscilação de humor muito específica em relação à gestão. Ele não avalia a administração pelos fatos, mas pela conveniência do próprio ego. Para ele, o síndico vive em dois estados simultâneos e contraditórios.

Cenário 1: Quando Algo Dá Errado (O Síndico Onipotente) Uma bomba queima. O portão trava. Chove granizo e molha o hall. Imediatamente, esse morador se transforma no Promotor de Justiça. Para ele, o síndico deveria ter previsto a queima da bomba (bela bola de cristal, hein?), deveria ter segurado o portão com a força da mente e parado a chuva com as mãos.
Nesse cenário, a culpa é pessoal, intransferível e exclusiva do síndico. 📢 "É incompetência!" 📢 "Onde estava a gestão preventiva?" 📢 "Você TINHA que ter feito X, Y e Z!" (Geralmente dito por alguém que nunca leu a norma técnica).
Cenário 2: Quando Tudo Dá Certo (O Síndico Invisível) A obra da fachada terminou antes do prazo. O caixa está positivo. A nova academia ficou incrível. Nesse momento, a mágica acontece: o síndico desaparece da equação. O morador "bipolar" olha para a melhoria e diz: 😒 "Não fez mais que a obrigação." 😒 "Mérito da Assembleia que votou certo." 😒 "Com o dinheiro que a gente paga, tinha que ficar bom mesmo."
A Realidade Técnica (Que dói, mas cura) Vamos alinhar os fatos jurídicos. O Síndico, conforme o Art. 1.348 do Código Civil, é o mandatário. Ele responde civil e criminalmente pelos erros (sim, a culpa pode ser dele), mas ele também é o executor e o gestor dos acertos.
Não existe gestão esquizofrênica. Se o síndico é o "culpado" pelo cano que estourou na parede, ele é o "responsável" pela negociação que economizou 20% no contrato de manutenção desse mesmo cano.
Coerência: Use sem Moderação Caro morador, você tem todo o direito de cobrar. A crítica é vital para a evolução. Mas tenha a hombridade de reconhecer. Gestão condominial não é feita de mágica, é feita de trabalho, responsabilidade e "sim" e "não" difíceis.
Se na hora do problema o dedo aponta para o síndico, na hora da solução a palma da mão deve servir para aplaudir (ou, no mínimo, para respeitar).
Conclusão Criticar o erro é fácil; qualquer um faz. Reconhecer o acerto exige caráter e entendimento de gestão. Que sejamos menos "engenheiros de obra pronta" e mais parceiros de construção.
🧠 Reflexão do Dia: Você conhece esse perfil? Aquele que tem uma caixa de ferramentas cheia para "consertar" o passado, mas nunca aparece para ajudar a construir o futuro? Conta pra gente nos comentários (sem citar nomes, as paredes têm ouvidos)!
⚠️ Nota de Esclarecimento: O termo "Bipolar" é utilizado neste conteúdo exclusivamente em seu sentido figurado e coloquial, para ilustrar a incoerência e a dualidade de comportamentos de condôminos frente à gestão condominial. Respeitamos a seriedade do Transtorno Afetivo Bipolar enquanto condição clínica de saúde e reiteramos que este texto não tem qualquer intenção de estigmatizar diagnósticos médicos ou ridicularizar portadores da condição.



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